Djokovic mostra onde se abrigou nos bombardeios
Em 1999, a Sérvia, um dos estados que integravam a antiga Iugoslávia, foi bombardeada durante três meses pelas forças da OTAN. Novak Djokovic, então um garoto, teve de se esconder com a família no porão da casa de seu avô. Mas não deixou de sonhar com o tênis. Esta história foi mostrada pelo programa “60 Minutes”, apresentado por Bob Simon, correspondente da CBS, no dia 25 deste mês.
O pequeno país dos Balcãs foi mal visto pelo mundo pela violência cometida por seus militares e para-militares contra as minorias dos estados co-irmãos. A conquista de Wimbledon em 2011 fez do Djokovic um herói que redimia o país daquela brutalidade, uma pessoa de que se orgulhar. “Foi espantoso, parecia que toda a cidade estava nas ruas. Foi incrível”, recorda o sérvio. “Era como um paraíso, um sonho. Sua gente esperando por você na praça. Você percebe como seus dois maiores objetivos na vida, o sonho de ganhar Wimbledon e ser número 1 do mundo, são importantes. Não poderia pedir por nada mais.”
Na temporada passada, ganhou ainda o US Open e neste ano, acrescentou o título do Aberto da Austrália, além de ter ficado invicto por 41 partidas. “Foi incrível, histórico. Vai ficar nos livros de história. Vou lembrar disto como os melhores seis meses que tive.”
Jelena Gencic, sua primeira professora de tênis, foi quem vislumbrou no garotinho o astro em que se tornaria. Trabalhavam muito em quadra, mas Jelena queria dar algo mais ao pupilo. Tocava música clássica para o menino e lia poesias de Pushkin. “Isso o iria ajudar com seu tênis ou apenas o faria um ser humano melhor”, pergunta Bob Simon. “Um ser humano melhor”, responde Gencic. “Eu tinha de saber pelo menos duas línguas, tinha de ouvir música clássica porque isso me acalmava os nervos. Sim, eu ainda gosto disso.”
Do período da Guerra civil, Djokovic não gosta de se lembrar. A Iugoslávia se dividiu em vários pequenos países. O mundo culpou a Sérvia pelo banho de sangue e seus líderes, acusados de crimes de guerra. Em 1999, quando o conflito se espalhou para a provincial de Kosovo, os Estados Unidos e a Otan bombardearam a Sérvia durante 78 dias e noites. A família Djokovic se abrigou em Belgrado. “Estávamos muito apavorados. Todos tinham muito medo porque a cidade toda estava sob ataque. A família se abrigou no apartamento de seu avô. Djokovic levou o jornalista e sua equipe até lá.
Novak, o avô, seus pais, os dois irmãos mais novos, tios e tias, todos viviam neste flat de dois quartos durante o bombardeio. O prédio tinha um porão. Quando as sirens de ataque soavam, eles se escondiam lá. “É aqui que ficávamos, aqui dentro. Todos que podiam caber aqui, vinham. Não havia limitação.” Novak conta que a família passou todas as noites no porão, nas primeiras duas semanas do bombardeio.” Mas Novak seguiu com os treinos de tênis. O atual número 1 do mundo conta que nas primeiras semanas perdeu a concentração porque acordávamos todas as noites por volta das 2, 3 horas da madrugada, durante dois meses e meio.” Mas o sérvio vê pelo lado positivo. “A melhor coisa disso, é que não precisávamos ir à escola e jogávamos mais tênis.”
Este período o ajudou a se tornar um campeão. “De certa forma. Tornou-me mais duro. Nos tornou mais famintos de sucesso.”
Novak Djokovic joga de YouTek™ IG Speed MP 18/20
Fonte: Tênis Brasil



